A cidade lixo zero

Venlo, na Holanda, é a primeira região do mundo a aplicar o conceito de cradle-to-

cradle em larga escala

greenport_venlo

Com cerca de 100 mil habitantes e 28 quilômetros quadrados, a diminuta Venlo, no sul da Holanda, decidiu adotar a filosofia do cradle-to-cradle como estratégia para promover a inovação e o crescimento econômico. Em 2006, se tornou a primeira região do mundo a aplicar em larga escala o conceito desenvolvido por Michael Braungart e William McDonough, que propõe fazer produtos que sigam um padrão de design regenerativo, de lixo zero, em que os componentes de um determinado produto ora retornam ao ciclo de produção como matéria prima pura, ora se transformam em fertilizantes.

Além de incentivar novos modelos de negócio e o reúso contínuo de materiais, Venlo instituiu uma inédita cooperação entre o governo, empresas e escolas. Situada perto da fronteira da Alemanha, a cidade tem como motores da economia local empresas alimentícias, agropecuárias e de logística. Com baixas taxas de natalidade e fatores de crescimento da economia relativamente estagnados, as cidades dessa região da Holanda têm como perspectiva um declínio de população. Representantes do governo, de universidades e de empresas locais viram nessa nova abordagem sobre desenvolvimento uma oportunidade de reter – e atrair – mão de obra qualificada para Venlo. Juntamente com a empresa de consultoria de Braungart e McDonough, foram desenvolvidos os “Princípios de Venlo”, que buscavam as adaptações necessárias para aplicar a filosofia não para um único produto, mas sim para toda uma cidade. O princípio fundamental é alterar a lógica mais comum da sustentabilidade, de fazer menos mal, e concentrar os processos em fazer bem.

Carta de Princípios
A adaptação para larga escala pode ser resumida em seis pontos principais: inovação baseada em experimentos, respeito às vocações econômicas regionais, produção de alimentos em ciclo perpétuo, integração do desenvolvimento com sistemas de mobilidade e transporte acessíveis e ecológicos, energia solar como fonte principal, prioridade no desenvolvimento de sistemas de purificação do ar, da água e do solo e design feito para durar.

Para garantir que a teoria rapidamente se traduzisse na prática, foi criado do C2C ExpoLab, um centro de ensino, orientação de carreira e desenvolvimento de projetos, cujos primeiros projetos auxiliaram na reconstrução de prédios obedecendo à filosofia do cradle to cradle. Um exemplo contundente é a nova sede da prefeitura, em fase de construção: com 13.500 metros quadrados, representou um investimento de 46 milhões de euros e, graças a seus sistemas de direcionamento de resíduos, irá gerar, ao longo de um período de 40 anos, receitas financeiras de 17 milhões de euros. Também foram erguidos um centro esportivo, uma escola primária e um conjunto habitacional de 55 residências – único em todo o mundo. Em 2012, Venlo abrigou a Floriade, exposição mundial de horticultura realizada a cada dez anos.

O centro de exposições faz parte do projeto mais ambicioso da região, o Greenport. Conhecido, por sua forma, como o trevo de quatro folhas, o porto verde compreende uma área de 5.400 hectares, distribuídos em áreas de plantio, estufas, estações de coleta e purificação de água da chuva, usina de energia a partir da queima de biomassa, espaços para galpões industriais e de empresas de logística, cravado em meio ao principal entroncamento rodoviário que permite fácil escoamento para o resto do país – e para os países fronteiriços, como Alemanha e Bélgica. A expectativa é que o porto verde duplique o faturamento da produção agrícola da região em uma década, batendo os 2 bilhões de euros.

E empresas que investem na produção cradle to cradle abriram plantas na região. É o caso da fabricante de cadeiras Herman Miller; da Steinzeug Keramo, que produz tubos vitrocerâmicos; da fábrica de materiais e sistemas de arquivamento Jalema e da Van Houtum Paper. A cidade também patrocina uma cadeira de design cradle to cradle na Universidade de Twente, a mais importante instituição de ensino de engenharia da Holanda.

fonte: http://epocanegocios.globo.com/Caminhos-para-o-futuro/Desenvolvimento/noticia/2014/11/cidade-lixo-zero.html

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